Juros do cartão de crédito
Veja quanto custa rolar a fatura no rotativo, em quantos meses a dívida bate o teto legal de 100% e quanto você economiza trocando por um crédito mais barato.
A fatura
O mínimo exigido é R$ 450,00, 15% do total.
Está na sua fatura, geralmente em letra miúda no rodapé. A média do mercado fica entre 12% e 15% ao mês.
Pagar o mínimo é o pior cenário possível, e é o que a maioria faz sem perceber.
O crédito mais caro do Brasil
A lei limita os juros do rotativo a 100% da dívida. Preencha ao lado para ver em quanto tempo você chega nesse teto.
Como usar a calculadora
Valor da fatura
O total que venceu e que você não conseguiu pagar inteiro. O mínimo exigido é 15% desse valor, e o campo mostra quanto isso dá para a sua fatura.
Juros do rotativo ao mês
Está impressa na sua fatura, quase sempre no rodapé em letra pequena, junto do CET. Vale procurar a sua em vez de usar a média: entre 8% e 15% ao mês há uma diferença de cinco meses no tempo que a dívida leva para dobrar.
Quanto você consegue pagar por mês
Seja realista aqui, porque é o campo que determina se a dívida termina. Pagamentos muito baixos podem não cobrir nem os juros do mês, e nesse caso a calculadora avisa que a dívida não é quitada.
Comparar com um crédito pessoal
Ligue para ver o efeito de tomar um empréstimo mais barato e quitar o cartão de uma vez. É a saída que mais reduz o total pago, e a página mostra a economia em reais.
Como o cálculo é feito
O rotativo capitaliza todo mês
O que sobra da fatura vira saldo devedor, e no mês seguinte o juro incide sobre a dívida mais o juro anterior. É juro composto na maior taxa do mercado, e é por isso que a conta sai do controle tão rápido: a 14% ao mês, cada real devido vira R$ 3,82 em um ano, se não houvesse teto.
O teto de 100% e o que ele realmente faz
A Lei 14.690/2023, em vigor desde 03/01/2024, limita os juros e encargos do rotativo a 100% do valor original da dívida. A simulação respeita esse limite, e é por isso que os totais aqui param no dobro da fatura, mesmo em cenários longos. Sem o teto, R$ 3.000 a 14% ao mês virariam R$ 14.454 em doze meses.
O mínimo de 15%
Pagar o mínimo mantém o nome limpo e o cartão desbloqueado, e é só para isso que ele serve. O valor foi desenhado para cobrir pouco mais que os juros do mês, o que faz a dívida cair devagar e o contrato durar o máximo possível.
A fórmula aberta
A dívida evolui mês a mês, com o pagamento entrando depois do juro:
saldo do mês = (saldo anterior × (1 + taxa)) − pagamento
E o tempo até a dívida dobrar sai do logaritmo:
meses até dobrar = ln(2) ÷ ln(1 + taxa)
O teto de 100% não é proteção, é cronômetro
A lei de 2024 foi noticiada como um limite que protegeria o consumidor do rotativo. Ela realmente impede o absurdo de dívidas que multiplicam por cinco, mas a leitura útil é outra: o teto diz exatamente quanto tempo você tem antes de dever o dobro.
| Taxa do rotativo | Ao ano | A dívida dobra em |
|---|---|---|
| 8% ao mês | 152% | 10 meses |
| 10% ao mês | 214% | 8 meses |
| 12% ao mês | 290% | 7 meses |
| 14% ao mês | 382% | 6 meses |
| 15% ao mês | 435% | 5 meses |
Meio ano é o prazo típico. E há uma consequência que a tabela abaixo deixa clara: quem paga religiosamente o mínimo todo mês chega ao teto de qualquer forma.
Pagar o mínimo custa exatamente o dobro
Uma fatura de R$ 3.000 a 14% ao mês, variando apenas quanto se paga por mês:
| Pagando por mês | Meses até quitar | Total pago | Só de juros |
|---|---|---|---|
| R$ 450 (o mínimo) | 14 | R$ 6.000 | R$ 3.000 |
| R$ 600 | 10 | R$ 5.519 | R$ 2.519 |
| R$ 900 | 5 | R$ 4.327 | R$ 1.327 |
| R$ 1.500 | 3 | R$ 3.785 | R$ 785 |
| R$ 3.000 (tudo) | 2 | R$ 3.479 | R$ 479 |
Pagando o mínimo, o total é R$ 6.000, o dobro exato da fatura, porque a dívida encosta no teto legal antes de acabar. Dobrar o pagamento para R$ 900 corta a conta em R$ 1.673 e o tempo de 14 meses para 5.
A saída é trocar a dívida, não pagá-la mais rápido
Aumentar o pagamento ajuda, mas não muda a natureza do problema: você continua devendo à taxa mais cara que existe. A decisão que realmente muda a ordem de grandeza é substituir a dívida por outra mais barata.
| Como pagar os R$ 3.000 | Parcela | Total | Economia |
|---|---|---|---|
| Consignado a 1,8% em 12x | R$ 279,66 | R$ 3.356 | R$ 2.644 |
| Crédito pessoal a 3% em 12x | R$ 301,39 | R$ 3.617 | R$ 2.383 |
| Crédito pessoal a 6% em 12x | R$ 357,83 | R$ 4.294 | R$ 1.706 |
| Rolar no rotativo a 14% | R$ 450,00 | R$ 6.000 | referência |
Um crédito pessoal a 3% ao mês economiza R$ 2.383 e ainda deixa a parcela menor que o mínimo do cartão. Com margem consignável a economia passa de R$ 2.600. A taxa do rotativo é tão descolada do resto do mercado que quase qualquer outra dívida é melhor que ela.
Duas condições para isso funcionar, e as duas são de comportamento, não de matemática. A primeira é parar de usar o cartão até o empréstimo acabar, senão você fica com as duas dívidas. A segunda é não usar o limite liberado: quitar a fatura devolve o limite inteiro, e é aí que a maior parte das pessoas recomeça o ciclo.
O que esta calculadora não cobre
- Multa e mora. O atraso soma 2% de multa e 1% ao mês de juros de mora, além do rotativo.
- IOF. Incide sobre o crédito rotativo e não entra nesta conta.
- Compras novas. A simulação assume que você para de usar o cartão. Gasto novo entra na fatura seguinte e reinicia tudo.
- Parcelamento da fatura. A oferta do banco tem taxa própria, entre o rotativo e o crédito pessoal. Simule com a taxa que ele oferecer.
- Negativação. O custo de ter o nome sujo, em crédito negado e taxas piores no futuro, não cabe em nenhuma planilha.
Perguntas frequentes
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