A pergunta deste momento
Quanto do meu salário é meu de verdade?
Entre o que o contrato promete e o que dá para usar existem duas subtrações que quase ninguém faz junto: os descontos obrigatórios e o que já está comprometido. Esta página faz as duas, e mostra o que a sobra compra em cada destino.
Sua renda
Tem folha de pagamento, então dá para sair do bruto e descontar INSS e IRRF.
O valor do contrato, antes de qualquer desconto. É o que está na carteira, não o que cai na conta.
Cada dependente abate R$ 189,59 da base do imposto por mês.
Moradia, comida, transporte, contas e remédio. Não é o quanto você gasta, é o quanto o mês custa sem nada supérfluo.
Já comprometido com dívida
Parcelas mínimas por mêsR$ 0,00
Se você tem dívida, listar cada uma dá o número exato e o plano para sair dela. Listar minhas dívidas
Quanto é seu de verdade
Do que entra até o que sobra depois das contas do mês, passando pelos descontos e pelo que já está comprometido.
O caminho até o número que decide
Três etapas: saber o que entra, descontar o que já tem dono, e dar destino ao que sobrou. A terceira é a que quase todo mundo pula, e é a única que muda alguma coisa no mês seguinte.
Saber o que entra de verdade
Para quem é CLT, o número do contrato não é o seu dinheiro: entre ele e a conta passam INSS e IRRF, e a diferença chega a um quinto do salário em faixas comuns. Para quem não tem folha de pagamento, o que vale é o que cai na conta depois de imposto e do que fica na empresa, e num mês fraco, não no melhor deles.
Descontar o que já tem dono
Gasto essencial e parcela de dívida não são escolha do mês, são compromisso assumido antes de ele começar. Os gastos você preenche na calculadora aqui em cima; as parcelas vêm da lista que você montou no plano de quitação, e mudar lá muda aqui.
Dar destino antes que ela suma
Sobra sem destino vira gasto, e não porque falta disciplina: é que dinheiro sem função combina com qualquer coisa. A ordem que funciona é dívida cara primeiro, reserva depois, e só então investir para crescer. Aqui embaixo cada caminho responde com os seus números, em meses e em reais.
O que a sua sobra vira em cada destino
Preencha sua renda e seus gastos essenciais na calculadora acima, e o que cada destino faz com a sua sobra aparece aqui.
As duas subtrações que ninguém faz junto
A primeira todo mundo conhece de nome: os descontos obrigatórios. O INSS é progressivo por faixa, então quem ganha mais não paga a alíquota mais alta sobre o salário inteiro, paga cada faixa com a sua. Depois vem o IRRF, que incide sobre o bruto menos o INSS e menos a dedução por dependente. Somados, tiram entre 8% e 27% do salário conforme a faixa.
A segunda quase nunca é feita: o que já tem dono antes de o dinheiro chegar. Aluguel, mercado, transporte e conta de luz não são escolha do mês, são o custo de continuar existindo. As parcelas de dívida também não: elas foram decididas no passado e o mês só executa. É por isso que aumento de salário some tão rápido, e a sensação de que nada mudou não é impressão: o que mudou foi o topo da conta, e a parte de baixo subiu junto.
O número que sobra depois das duas é o único sobre o qual você toma decisão. É ele que decide se dá para atacar uma dívida mais rápido, se a reserva leva seis meses ou dois anos, e se investir agora faz algum sentido. Um plano financeiro construído sobre o salário bruto é um plano sobre o dinheiro de outra pessoa.
Por que a sobra some sem você ver
Quem termina o mês no zero raramente gastou tudo em coisa grande. O que acontece é mais simples: a sobra não tinha função. Dinheiro sem destino combina com qualquer despesa que apareça, e como toda semana aparece alguma, ela é consumida em pedaços pequenos demais para serem lembrados no fim do mês.
É por isso que a terceira etapa desta página não é decoração. Dar destino é o que transforma um número em decisão: a sobra que vai para o abatimento de uma dívida encurta um prazo, a que vai para a reserva empurra uma data, e as duas coisas você consegue conferir no mês seguinte. A sobra que fica na conta corrente não deixa rastro, e no extrato ela nunca aparece como uma linha só.
O caminho mais confiável é tirar o dinheiro do lugar onde ele é gasto, e no mesmo dia em que ele entra. Não porque isso exige menos disciplina, mas porque a decisão passa a ser tomada uma vez por mês, em vez de trinta vezes por dia.
Quando a sobra dá negativa
É a situação mais urgente que existe em finanças pessoais, e a mais comum de ser ignorada, porque ela não aparece de uma vez: aparece como um limite do cartão que nunca volta ao zero, um cheque especial que virou parte da paisagem, um empréstimo pequeno todo semestre.
Matematicamente, sobra negativa significa que a diferença está sendo financiada, quase sempre pela dívida mais cara disponível. Enquanto isso durar, nenhum plano de investimento tem efeito, porque o rendimento de qualquer aplicação é uma fração do custo do crédito que está tapando o buraco.
São dois movimentos, e eles não competem: baixar o custo do que já se deve, renegociando ou trocando por crédito mais barato, e reduzir o essencial no que der. O primeiro costuma render mais rápido, porque trocar rotativo por consignado corta o custo do dinheiro em quase oito vezes sem mudar nada no seu dia.
Vale dizer o que não resolve: aumentar a renda sem mexer no custo do que se deve. Renda a mais entrando numa estrutura que perde para o juro é dinheiro que atrasa a percepção do problema sem mudar a direção dele. Quem consegue renda extra e a manda inteira para a dívida mais cara faz as duas coisas de uma vez.
Com a sobra na mão
O destino muda com a sua situação, e o site já sabe qual é a sua. Se existe dívida cara, é ela que rende mais. Se não existe, a reserva vem antes de qualquer aplicação com prazo.