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A pergunta deste momento

Tenho mais de uma dívida. Por onde eu começo?

A ordem em que você paga muda quanto a dívida custa no fim. Liste o que você deve, e a conta compara os dois métodos, mostra o prazo de cada um e diz quanto a ordem certa economiza.

Suas dívidas


R$ 0,00R$ 500,00R$ 3.000,00

Todo real a mais aqui vai inteiro para a dívida da vez, e é o que mais encurta o prazo.

Por onde começar a pagar

Liste o que você deve com os juros de cada dívida. A conta compara o método avalanche com o bola de neve e diz qual sai mais barato.

O caminho até não dever mais nada

Quatro etapas, em ordem. Cada uma abre as ferramentas daquele momento.

02

Escolher a ordem de pagamento

Avalanche ataca a maior taxa e sai mais barato. Bola de neve quita a menor dívida primeiro e segura mais gente até o fim. A calculadora acima mostra a diferença nos seus números.

Ferramentas e guias deste passo

03

Ver se vale trocar por uma dívida mais barata

Sair de um rotativo a 14% ao mês para um consignado a 1,8% muda a conta de lugar. Quando os mínimos não cobrem nem os juros, é por aqui que se começa.

Ferramentas e guias deste passo

04

Não voltar para o cartão no próximo susto

Quando a última parcela cair, o dinheiro que ia para a dívida fica livre. Sem uma reserva, o próximo imprevisto recomeça tudo do zero.

Ferramentas e guias deste passo

Como usar a calculadora

Saldo devedor

Quanto você deve hoje naquela dívida, não o valor original nem a soma das parcelas que faltam. No cartão é o saldo que sobrou da fatura, o valor sobre o qual o rotativo está correndo. No consignado e no empréstimo pessoal, é o saldo devedor de quitação, que o banco informa no aplicativo e costuma ser menor que a soma das parcelas restantes, porque essas embutem juros futuros.

Juros ao mês

A taxa mensal, não a anual. É o campo que mais gente preenche errado e o que mais muda o resultado. A fatura do cartão informa a taxa do rotativo em destaque desde a Resolução 4.549/2017 do Banco Central. Se você não achar, a tabela da próxima seção traz a ordem de grandeza de cada tipo de dívida.

Pagamento mínimo

O menor valor que você precisa pagar naquela dívida todo mês para não ficar inadimplente. No cartão é 15% da fatura. No empréstimo é a parcela contratada, que não dá para reduzir. A conta pressupõe que você paga o mínimo de todas as dívidas todo mês, e só a sobra varia de destino.

Sobra por mês

O que você consegue pagar além de todos os mínimos somados. É a única variável que você controla de verdade, e é ela que decide se a conta fecha. Se você não sabe quanto sobra, a calculadora de orçamento parte da sua renda e chega nesse número.

Quanto custa cada tipo de dívida no Brasil

A diferença entre a dívida mais cara e a mais barata do país é de mais de dez vezes ao mês. É por isso que a ordem de pagamento importa, e é por isso que trocar uma dívida cara por uma barata costuma render mais que qualquer disciplina de pagamento.

DívidaAo mêsAo anoO que define
Rotativo do cartão8% a 15%152% a 435%A mais cara do país. Não precisa ser contratada: basta pagar um centavo a menos que o total.
Cheque especialaté 8%até 152%Teto fixado pela Resolução CMN 4.765/2019, em vigor desde janeiro de 2020.
Parcelamento da fatura6% a 10%101% a 214%Mais barato que o rotativo e quase sempre vale a troca, mesmo parecendo caro.
Crédito pessoal sem garantia4% a 8%60% a 152%Varia muito com o seu score, porque o banco não tem garantia nenhuma.
Financiamento de veículocerca de 2%cerca de 24%O carro é a garantia, e por isso a taxa cai. Você perde o bem se parar de pagar.
Consignado1,5% a 2%20% a 27%Desconto direto na folha ou no benefício. A mais barata que a maioria consegue.

São ordens de grandeza praticadas no mercado, não taxas garantidas: a sua depende do banco, do seu histórico e da data. O Banco Central publica as taxas médias por instituição e por modalidade, e a sua fatura ou contrato traz a taxa exata que está sendo cobrada de você. Use a da sua fatura na calculadora sempre que tiver.

Avalanche: o que a matemática diz

Duas pessoas com as mesmas dívidas, pagando o mesmo valor por mês, terminam pagando quantias diferentes. A única variável é para qual dívida vai o dinheiro que sobra depois dos mínimos.

O motivo é que juro incide sobre saldo. Jogar R$ 500 numa dívida a 14% ao mês evita R$ 70 de juros no mês seguinte. Os mesmos R$ 500 numa dívida a 2% evitam R$ 10. Repetido por dois ou três anos, a diferença passa de mil reais em dívidas de tamanho comum.

Um exemplo fechado. Você deve R$ 8.000 no cartão a 14% ao mês e R$ 12.000 no consignado a 2% ao mês, e consegue pagar os mínimos mais R$ 500. Pelo avalanche, os R$ 500 vão para o cartão todo mês até ele zerar, e só então migram para o consignado. Pelo bola de neve, iriam primeiro para o consignado, que tem saldo maior mas juro oito vezes menor, enquanto o cartão continua correndo a 14%.

É por isso que o avalanche é matematicamente imbatível: nenhuma outra ordem paga menos juros no total. A regra é uma só, e cabe numa linha. Pague o mínimo de tudo e jogue cada real que sobrar na dívida de maior taxa, ignorando o tamanho dela.

Bola de neve: o que o comportamento diz

O bola de neve inverte o critério: paga primeiro a dívida de menor saldo, independente da taxa. No exemplo acima, começaria pelos R$ 8.000 do cartão de qualquer forma. Mas troque os valores, ponha R$ 800 no cartão a 14% e R$ 12.000 no consignado a 2%, e os dois métodos concordam por acaso.

A diferença aparece quando a dívida pequena é a barata. Aí o bola de neve paga mais juros no total, e em troca entrega uma coisa que a planilha não mede: a dívida some da lista. Uma conta a menos para acompanhar, um boleto a menos por mês, e a sensação concreta de que o plano está funcionando.

Isso não é autoajuda, é achado de pesquisa. Estudos de finanças comportamentais documentaram que as pessoas priorizam quitar contas pequenas mesmo quando isso custa mais caro, e que quem começa pelas menores tende a persistir mais no plano até o fim. O método teoricamente pior vence quando o outro é abandonado no sexto mês.

A leitura prática é essa: se a calculadora mostrar que a diferença entre os dois é pequena perto do tamanho da sua dívida, escolha o bola de neve sem culpa. Se a diferença for de milhares de reais, vale segurar o desconforto e ir de avalanche.

Quando nenhum dos dois resolve

Existe um ponto em que a escolha de método vira detalhe: quando os pagamentos mínimos não cobrem nem os juros do mês. Aí o saldo cresce mesmo com você pagando em dia, e nenhuma ordenação salva. A calculadora avisa quando é esse o caso, em vez de devolver um prazo de cinquenta anos com cara de resposta. São três saídas, nesta ordem.

Trocar a dívida cara por uma barata

É a saída com maior efeito e a menos usada. Sair de um rotativo a 14% ao mês para um consignado a 1,8% reduz o custo do dinheiro em quase oito vezes, e o saldo devedor continua o mesmo. Você não está fazendo dívida nova: está trocando o preço da que já tem. Vale conferir se a parcela cabe na margem antes de assinar.

Portabilidade de crédito

A Resolução 4.292/2013 do Banco Central obriga o seu banco a informar o saldo devedor de quitação em até um dia útil e permite levar a dívida para outro banco que ofereça taxa menor, sem custo de transferência. O banco de origem pode fazer uma contraproposta, e é comum que faça. Peça a proposta do concorrente por escrito antes de conversar com o seu.

Renegociar direto com o credor

Compare sempre pelo custo efetivo total, nunca pelo valor da parcela. Parcela menor com prazo maior quase sempre significa mais juros no fim, e é exatamente assim que a proposta costuma ser apresentada. Peça o CET anual por escrito, some o total que você vai pagar e compare com o total do plano atual. Se o total subir, a proposta resolveu o seu mês e piorou a sua dívida.

O que o cobrador pode e o que não pode

Estar devendo não suspende os seus direitos, e boa parte da pressão que se sofre na cobrança é ilegal. O artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor proíbe expor o devedor a ridículo e submetê-lo a qualquer constrangimento ou ameaça. O artigo 71 vai além e trata como crime usar ameaça, coação ou afirmação falsa, e interferir no trabalho, no descanso ou no lazer de quem deve.

Na prática, isso quer dizer que o credor não pode avisar o seu emprego, o seu vizinho ou a sua família sobre a dívida, não pode ligar em horário de descanso de forma insistente, não pode ameaçar com prisão, que não existe para dívida de consumo, e não pode cobrar valor diferente do contratado. Cobrança indevida paga dá direito à devolução em dobro, com correção e juros.

A Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, acrescentou uma proteção que muita gente não sabe que tem: o direito de pedir a repactuação de todas as dívidas num plano único, com prazo de até cinco anos, preservando o mínimo existencial para viver. O pedido é feito no Procon ou no Judiciário e alcança as dívidas de consumo, ficando de fora as de crédito imobiliário e as contraídas com má-fé.

Sobre o nome sujo: o registro nos cadastros de inadimplentes cai depois de cinco anos, pelo artigo 43 do Código de Defesa do Consumidor, e a cobrança judicial prescreve no mesmo prazo. A dívida continua existindo e o credor pode seguir cobrando por telefone, mas perde as duas ferramentas que doem.

Cinco erros que fazem o plano desandar

Pagar o mínimo achando que está pagando

O mínimo do cartão existe para evitar a inadimplência formal, não para resolver a dívida. Pagando só ele numa fatura a 14% ao mês, o saldo cresce todo mês mesmo com o pagamento em dia.

Parcelar uma dívida para pagar outra

Só faz sentido quando a taxa nova é menor que a antiga. Trocar rotativo por consignado é redução de custo. Pegar crédito pessoal a 6% para quitar um consignado a 1,8% é o contrário, e acontece mais do que se imagina porque a parcela nova parece menor.

Não separar uma reserva mínima

Jogar cada centavo na dívida e ficar com zero de folga garante que o próximo pneu furado volte para o cartão. Uma reserva pequena, mesmo de poucos salários mínimos, custa alguns meses a mais no plano e evita recomeçar do zero.

Aceitar a primeira proposta de renegociação

A primeira oferta raramente é a melhor, e ter uma proposta de portabilidade de outro banco na mão muda a conversa. O credor prefere reduzir a taxa a perder o contrato inteiro.

Trocar de método no meio do caminho

Avalanche e bola de neve funcionam porque concentram o dinheiro num alvo por vez. Alternar entre eles espalha a sobra, e o efeito de concentração, que é o que faz os dois funcionarem, se perde.

Perguntas frequentes

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