Simulador de consórcio
Veja a parcela, o custo total com taxa de administração e, principal, se o consórcio realmente ganha do financiamento. A resposta depende do mês em que você for contemplado, e a calculadora mostra o ponto exato em que ela se inverte.
O grupo e o bem
O valor do bem que você quer comprar.
É o campo que decide tudo, e o único que você não controla. Arraste para ver o resultado virar.
Cobrada sobre o valor da carta e diluída nas parcelas. Costuma ficar entre 15% e 22%.
Cobre inadimplência do grupo. Parte pode ser devolvida no encerramento, o que esta conta não considera.
A alternativa real ao consórcio. Sem ela não dá para dizer se o consórcio compensa, só qual é a parcela.
Consórcio ou financiamento?
A resposta depende de quando você for contemplado, e é por isso que esse é um dos campos ao lado. Preencha para ver as duas opções em reais de hoje.
Como usar a calculadora
Valor da carta e prazo do grupo
A carta é o valor do bem que você quer comprar, e o prazo é a duração do grupo, geralmente de 60 a 80 meses para veículos e de 120 a 200 para imóveis. Prazo maior derruba a parcela e aumenta o tempo de espera possível, o que é uma troca pior do que parece.
Em que mês você seria contemplado
O campo que decide o resultado, e o único que você não controla. Arraste devagar e veja o veredito virar de verde para vermelho em algum ponto: esse é o mês de virada. Se você não tem como garantir contemplação antes dele, está comprando uma aposta, não um plano.
Taxa de administração e fundo de reserva
A administração remunera a empresa e costuma ficar entre 15% e 22% do valor da carta, diluída nas parcelas. O fundo de reserva, de 1% a 3%, cobre inadimplência do grupo e pode ter sobra devolvida no encerramento, o que esta conta não considera por ser incerto.
Taxa do financiamento que você conseguiria
Sem ela não existe resposta, só uma parcela. O consórcio não compete com nada no vácuo: ele compete com a alternativa de financiar e ter o bem hoje. Consulte a taxa real que o seu banco oferece para o seu perfil, não a da propaganda.
Como o cálculo é feito
A parcela é uma divisão simples
Soma-se a taxa de administração e o fundo de reserva ao valor da carta, e divide-se pelo número de parcelas. Não há juros compostos, e é daí que vem a frase de venda de que o consórcio não tem juros. A frase é verdadeira e é também a parte menos importante da conta.
O que a comparação nominal esconde
Comparar R$ 72.000 de consórcio com R$ 98.825 de financiamento parece encerrar o assunto, e é assim que o produto é vendido. Mas os dois totais não são comparáveis, porque um deles entrega o bem hoje e o outro entrega em algum mês desconhecido do futuro. Dinheiro em momentos diferentes tem valor diferente, e ignorar isso é o erro que a indústria inteira do consórcio depende que você cometa.
Por que a comparação é feita em valor presente
Trazendo tudo para reais de hoje pela taxa do financiamento, financiar tem valor presente exatamente zero: você recebe o bem agora e paga o valor dele em parcelas descontadas à própria taxa. O consórcio, então, vale a pena quando o valor presente do fluxo dele é positivo. É uma régua única que já embute o tempo de espera, o custo das taxas e o preço do dinheiro.
A fórmula aberta
A parcela:
parcela = carta × (1 + taxa de administração + fundo) ÷ prazo
E a comparação, onde i é a taxa mensal do financiamento e m é o mês da contemplação:
valor presente = carta ÷ (1 + i)^m − Σ parcela ÷ (1 + i)^t
Positivo, o consórcio ganha. Negativo, o financiamento ganha. O resultado está em reais de hoje, então pode ser lido direto como quanto se ganha ou se perde na escolha.
Exemplo com números reais
Carta de R$ 60.000 em 60 meses, com 18% de administração e 2% de fundo de reserva, contra um financiamento a 24% ao ano. A parcela do consórcio é de R$ 1.200 contra R$ 1.647 do financiamento, e o total pago é de R$ 72.000 contra R$ 98.825. Pela conta nominal, o consórcio economiza R$ 26.825. Agora o mesmo contrato, medido em reais de hoje, conforme o mês da contemplação:
| Contemplação | Pago até receber a carta | Resultado em reais de hoje | Quem ganha |
|---|---|---|---|
| Mês 1 | R$ 1.200 | +R$ 15.221 | Consórcio |
| Mês 6 | R$ 7.200 | +R$ 10.168 | Consórcio |
| Mês 12 | R$ 14.400 | +R$ 4.674 | Consórcio |
| Mês 18 | R$ 21.600 | -R$ 261 | Financiamento |
| Mês 24 | R$ 28.800 | -R$ 4.692 | Financiamento |
| Mês 36 | R$ 43.200 | -R$ 12.244 | Financiamento |
| Mês 48 | R$ 57.600 | -R$ 18.335 | Financiamento |
| Mês 60 | R$ 72.000 | -R$ 23.247 | Financiamento |
A economia de R$ 26.825 da conta nominal existe só na contemplação imediata, e mesmo ali vale R$ 15.221 em reais de hoje, não R$ 26.825. Contemplado no mês 60, o consorciado pagou R$ 72.000 antes de encostar no bem, e perdeu R$ 23.247 contra quem financiou.
O consórcio só ganha no primeiro terço do grupo
Existe um mês em que o veredito se inverte, e ele é surpreendentemente cedo. Mais surpreendente ainda é como ele se mexe pouco: mesmo comparando com um financiamento caríssimo, de 32% ao ano, o consórcio precisa contemplar dentro do primeiro terço para valer a pena.
| Financiamento concorrente | Consórcio ganha até | Fração do prazo |
|---|---|---|
| 10% ao ano | Mês 6 | 10% do prazo |
| 14% ao ano | Mês 12 | 20% do prazo |
| 18% ao ano | Mês 15 | 25% do prazo |
| 24% ao ano | Mês 17 | 28% do prazo |
| 32% ao ano | Mês 19 | 32% do prazo |
E aqui está a parte que muda como negociar. Todo mundo pechincha a taxa de administração, que é o número impresso no folheto. Mas ela move o ponto de virada muito menos do que o mês da contemplação, que ninguém discute porque ninguém controla:
| Taxa de administração | Ponto de virada |
|---|---|
| 10% | Mês 21 |
| 14% | Mês 19 |
| 18% | Mês 17 |
| 22% | Mês 15 |
| 26% | Mês 14 |
Derrubar a administração de 26% para 10%, o que nenhuma administradora aceita, move a virada em sete meses. O mês da contemplação varia entre 1 e 60. Em outras palavras, a sorte do sorteio pesa muito mais que qualquer negociação: entre ser contemplado no primeiro mês e no último há uma diferença de R$ 38.468 em reais de hoje, quase dois terços do valor do bem.
Daí a única conclusão defensável: consórcio faz sentido para quem não tem pressa e trata as parcelas como poupança forçada, ou para quem tem dinheiro de lance e pode comprar a contemplação antecipada. Para quem precisa do bem agora e conta com o sorteio, é um financiamento com data de entrega desconhecida.
O que esta calculadora não cobre
- Lance. Antecipar a contemplação com lance muda bastante a conta, e o efeito depende do regulamento de cada grupo, que pode abater prazo ou parcela.
- Correção da carta. O valor e as parcelas são reajustados anualmente pelo índice do contrato, geralmente INCC ou IPCA. A simulação usa valores constantes.
- Seguro obrigatório. Muitos grupos embutem seguro prestamista ou de quebra de garantia na parcela.
- Devolução do fundo de reserva. Sobra pode ser rateada no encerramento do grupo, o que reduziria o custo real.
- Entrada. O financiamento comparado é integral. Com entrada, a comparação muda a favor dele.
- Uso do bem. Quem financia usa o bem desde o primeiro dia. Se isso substitui um aluguel ou um custo de transporte, a vantagem do financiamento é ainda maior do que a mostrada aqui.
Perguntas frequentes
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