Calculadora de dividendos
Quanto capital é preciso para a renda mensal que você quer, em quanto tempo você chega lá e o que a inflação faz com essa renda depois que você chegar.
A renda que você quer
Em dinheiro de hoje. A projeção mostra o que ela vale daqui a alguns anos.
Yield muito alto costuma ser sinal de preço em queda, não de oportunidade. Entre 5% e 8% é a faixa em que a conta costuma se sustentar.
A simulação reinveste os proventos, que é o que faz a carteira crescer antes da aposentadoria.
IPCA de 4.64% em 12 meses, do Banco Central. Se os proventos crescerem abaixo dela, o seu padrão de vida cai todo ano.
Quanto custa viver de dividendos
O capital necessário é só metade da conta. A outra metade é a renda acompanhar a inflação, e é aí que a maioria dos planos falha.
Como usar a calculadora
Renda mensal que você quer
Em dinheiro de hoje, e de preferência o valor das suas despesas mensais, não o do seu salário. É mais fácil chegar a uma meta de renda quando ela cobre o que você gasta e não o que você ganha.
Dividend yield esperado
A média que você espera da carteira, não o yield da ação que mais paga. Entre 5% e 8% ao ano é a faixa em que a conta se sustenta sem depender de casos excepcionais. Yield de dois dígitos costuma refletir preço em queda, e o dividendo de ontem não garante o de amanhã.
Crescimento anual dos proventos
O campo mais importante e o mais ignorado. Compare sempre com a inflação mostrada ao lado: crescimento abaixo dela significa perder padrão de vida todo ano, mesmo com a carteira intacta.
Como o cálculo é feito
O capital sai de uma divisão
A renda anual desejada dividida pelo yield dá o capital necessário. É uma conta simples e vale fazer de cabeça: com 6% de yield, todo R$ 1.000 de renda mensal custa R$ 200.000 de patrimônio.
O tempo até a meta inclui o reinvestimento
Durante a fase de acumulação, a simulação reinveste os proventos além dos aportes mensais. É esse efeito composto que faz a diferença entre chegar em quinze ou em trinta anos, e ele só existe enquanto você não começa a consumir a renda.
O poder de compra é medido em dinheiro de hoje
A projeção divide a renda nominal futura pela inflação acumulada, o que devolve quanto ela compraria hoje. O IPCA usado é o dos últimos doze meses, lido do Banco Central, e não um número escrito na página.
A fórmula aberta
capital = renda mensal × 12 ÷ yield
renda nominal no ano t = renda × (1 + crescimento)^t
poder de compra = renda nominal ÷ (1 + inflação)^t
Da última linha sai a única regra que importa neste plano: se o crescimento dos proventos for igual à inflação, o poder de compra fica constante. Abaixo dela, ele cai todo ano.
Exemplo com números reais
O capital necessário para cada renda mensal, por yield:
| Renda mensal | Yield de 4% | 6% | 8% | 10% |
|---|---|---|---|---|
| R$ 1.000 | R$ 300 mil | R$ 200 mil | R$ 150 mil | R$ 120 mil |
| R$ 3.000 | R$ 900 mil | R$ 600 mil | R$ 450 mil | R$ 360 mil |
| R$ 5.000 | R$ 1,5 mi | R$ 1,0 mi | R$ 750 mil | R$ 600 mil |
| R$ 10.000 | R$ 3,0 mi | R$ 2,0 mi | R$ 1,5 mi | R$ 1,2 mi |
A tabela explica por que quase todo plano de viver de dividendos começa mirando yield alto: a diferença entre 4% e 8% divide o capital necessário pela metade. Ela também explica por que tantos terminam frustrados, porque sustentar 8% de yield real por décadas é bem mais difícil que encontrar 8% num print de corretora.
Chegar no capital é metade do problema
Suponha que deu certo: você acumulou R$ 1 milhão e recebe R$ 5.000 por mês. O plano funcionou. Vinte anos depois, se os proventos não tiverem crescido, esses mesmos R$ 5.000 compram o que R$ 2.073 compram hoje.
| Proventos crescendo | Em 10 anos vale | Em 20 anos vale | |
|---|---|---|---|
| 0% ao ano | R$ 3.220 | R$ 2.073 | Perde 59% |
| 2% ao ano | R$ 3.925 | R$ 3.081 | Perde 38% |
| 4,5% ao ano | R$ 5.000 | R$ 5.000 | Empata |
| 7% ao ano | R$ 6.334 | R$ 8.023 | Ganha 60% |
Todos os valores estão em poder de compra de hoje, com IPCA de 4,5% ao ano. A linha do meio é a única em que o plano se mantém de pé, e ela exige que os proventos cresçam exatamente com a inflação, ano após ano, por duas décadas.
Por outro lado, para manter R$ 5.000 de poder de compra em vinte anos sem crescimento nenhum dos proventos, seria preciso chegar à aposentadoria com 141% mais capital, ou R$ 2,4 milhões em vez de R$ 1 milhão. É a mesma conta vista do outro lado, e ela costuma ser mais convincente.
Nada disso é argumento contra viver de dividendos. É argumento contra planejar com o yield de hoje e supor que ele se repete para sempre em reais constantes. Um plano honesto ou assume crescimento dos proventos e monitora se ele está acontecendo, ou acumula folga suficiente para aguentar vinte anos de erosão.
O que esta calculadora não cobre
- Escolha de ativos. A conta é sobre categoria e taxa, nunca sobre qual papel comprar. Recomendação de ativo específico exige registro na CVM.
- Variação do yield. Ele muda com o preço e com a política de distribuição de cada empresa ou fundo, e não é contratual.
- Tributação futura. A isenção de dividendos é a regra atual e é tema recorrente no Congresso. Projeções de vinte anos carregam esse risco.
- Juros sobre capital próprio. Têm 15% retidos na fonte, então uma carteira que paga muito JCP rende menos líquido do que o yield bruto sugere.
- Corte de dividendos. Empresa em dificuldade reduz ou suspende proventos, e é exatamente quando você mais precisa deles.
- Custos. Corretagem, custódia e imposto sobre eventual venda não entram na projeção.
Perguntas frequentes
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