Resumo executivo
Resumo
Sistemas
PRICE / SAC
amortização
Componentes
Juros + IOF + Tarifas
formam o CET
IOF empréstimo
0,38% + 0,0082%/dia
máx 3% ao ano
Lei BCB
CET obrigatório
exigir antes de assinar
Esse guia explica os componentes do empréstimo, como cada sistema calcula a parcela, e como ler o CET. Combina com calculadora de financiamento pra simular seu caso específico.
Componentes do empréstimo
Todo empréstimo tem três componentes que somados formam o custo total: juros, IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e tarifas/seguros.
Juros: o custo do dinheiro emprestado. Cobrado mensalmente sobre o saldo devedor. Pode ser pré-fixado (taxa fixa no contrato — ex: 3% ao mês) ou pós-fixado (atrelado a CDI/IPCA, comum em consignado de servidor). A taxa nominal é o que aparece no anúncio; o efeito sobre o pagamento depende do sistema de amortização.
IOF: imposto federal sobre crédito. Pra empréstimo pessoa física: 0,38% fixo na liberação + 0,0082% ao dia sobre o saldo, com teto de 3% ao ano. IOF é cobrado pelo banco e incorporado no contrato.
Tarifas e seguros: variam por instituição. TAC (Taxa de Abertura de Crédito) era comum mas foi limitada por regulamentação. Seguro prestamista (cobre o saldo se você morrer ou ficar inválido) é opcional na maioria dos casos — se o credor embutir, pode pedir pra retirar. Tarifa de cadastro também é regulamentada.
Sistema PRICE (Tabela Price)
PRICE é o sistema mais comum no Brasil. Característica principal: parcelas fixas ao longo de todo o contrato. Você paga o mesmo valor todo mês até quitar. A composição interna muda: no início, a maior parte da parcela é juros; ao final, a maior parte é amortização do principal.
Fórmula da parcela: PMT = VP × [i × (1+i)^n] / [(1+i)^n − 1], onde PMT é a parcela, VP o valor emprestado, i a taxa mensal e n o número de parcelas. No Excel: =PGTO(taxa;nper;-vp).
Vantagens: previsibilidade (parcela igual mês a mês), parcela inicial menor que SAC. Desvantagens: paga mais juros no total, e a redução do saldo devedor é lenta no início (se quitar antecipadamente nos primeiros meses, ainda deve quase todo o principal).
PRICE é padrão em empréstimo pessoal, consignado, financiamento de veículo. Em financiamento imobiliário, banco frequentemente oferece a escolha entre PRICE e SAC.
Sistema SAC (Sistema de Amortização Constante)
No SAC, a amortização do principal é constante em cada parcela, mas os juros decrescem mês a mês (sobre saldo devedor decrescente). Resultado: parcelas decrescentes — começam maiores e vão diminuindo até o final do contrato.
Fórmula: amortização constante = VP / n. Juros do mês = saldo devedor × i. Parcela = amortização + juros do mês. A primeira parcela tem o maior juros (saldo cheio); a última tem o menor.
Vantagens: paga MENOS juros no total que PRICE (porque o saldo devedor diminui mais rápido), e parcelas vão ficando menores conforme o tempo passa. Desvantagens: parcela inicial maior — em financiamento imobiliário longo, primeira parcela pode ser 30-50% maior que a equivalente em PRICE.
SAC é comum em financiamento imobiliário (CAIXA, Bradesco, BB oferecem) e em alguns consignados de servidor público. Pra quem tem renda estável e suporta a parcela inicial mais alta, SAC economiza significativamente no longo prazo.
CET (Custo Efetivo Total)
O CET é o custo total real do empréstimo, expresso em taxa anual que inclui juros + IOF + tarifas + seguros. Pela Resolução do Banco Central, é obrigação do credor divulgar o CET antes da contratação, no contrato e em qualquer simulação.
Por que comparar pelo CET e não pela taxa: duas ofertas com mesma taxa nominal podem ter CET muito diferente se uma cobra TAC alta e a outra não, se uma embute seguro e a outra deixa opcional, etc. Ofertas que parecem iguais ficam claramente diferentes quando você olha o CET.
Exemplo prático: Banco A oferece pessoal a 4% ao mês com tarifa de R$ 200 e seguro embutido. Banco B oferece 4,2% ao mês sem tarifa e sem seguro embutido. Taxa parece favorecer A — mas o CET do A pode ser maior por conta dos extras.
Pratique: ao receber proposta, pergunte sempre "qual o CET?". Se o atendente não souber ou não quiser informar, vá embora. Lei obriga a fornecer.
Exemplo prático completo
Vamos calcular um empréstimo pessoal de R$ 10.000 em 24 parcelas a 4% ao mês:
| Sistema | Parcela inicial | Parcela final | Total pago | Juros |
|---|---|---|---|---|
| PRICE | R$ 658 | R$ 658 | R$ 15.792 | R$ 5.792 |
| SAC | R$ 817 | R$ 433 | R$ 15.000 | R$ 5.000 |
No SAC, você paga R$ 792 a menos em juros (R$ 5.000 vs R$ 5.792) mas começa com parcela R$ 159 maior (R$ 817 vs R$ 658). Pra prazo de 24 meses a diferença é pequena; em prazos longos (180 meses típico de imobiliário), a diferença pode passar de R$ 50 mil.
IOF nesse exemplo (PRICE): aproximadamente R$ 230 (0,38% de R$ 10.000 + 0,0082%/dia × 24 meses, com teto). Tarifas e seguro variam por banco. CET aproximado seria ~5% ao mês incluindo IOF (vs taxa nominal de 4%).
Use a calculadora
A matemática manual ajuda a entender, mas pra rodar simulações rápidas com seus números, vale a calculadora pronta:
- Calculadora de financiamento — simula PRICE com seu valor, taxa e prazo. Mostra parcela e total pago.
- Calculadora de empréstimo consignado — específica pra consignado, com margem consignável e IOF consignado.
- Calculadora de juros compostos — útil pra entender impacto da taxa em horizontes longos (compara com investimento alternativo).
Estratégia prática: antes de assinar, rode a simulação com 3-5 ofertas diferentes (taxas, prazos), compare o CET, escolha a melhor. Diferenças de 0,5% ao mês podem somar milhares de reais ao longo do contrato.