Resumo executivo
Resumo
Consignado INSS
1,5-2% / mês
o mais barato
Pessoal sem garantia
4-8% / mês
depende do score
Rotativo cartão
14-18% / mês
o mais caro
Cheque especial
8-12% / mês
evitar sempre
Esse guia explica cada tipo, quando faz sentido e quando evitar. Combina com calculadora de financiamento pra simular cada cenário com seus números.
Empréstimo pessoal sem garantia
Empréstimo pessoal é a modalidade mais comum: você pega dinheiro do banco/fintech sem dar nada em garantia, paga em parcelas mensais. A aprovação depende do seu score, renda e relacionamento com o credor. Como o risco do banco é maior (se você não pagar, ele tem que cobrar via processo), as taxas são mais altas que modalidades com garantia.
Faixas de taxa típicas: 4-6% ao mês pra perfis com bom score em banco/fintech digital; 6-10% ao mês pra perfis intermediários; acima de 10% ao mês pra perfis com restrição (negativados ou score muito baixo). Prazo costuma ir de 12 a 60 meses, com valor de R$ 1.000 a R$ 50.000 dependendo do credor.
Quando vale: emergência sem reserva, troca de dívida cara (rotativo do cartão a 14% ao mês → pessoal a 5% reduz drasticamente o custo), oportunidade tempo-sensível (com cálculo claro de retorno). Quando NÃO vale: consumo discricionário (viagem, eletrônico), gastos recorrentes (não resolve o problema, só adia), valor pequeno onde juros somam pouco mas burocratizam o processo.
Consignado
Consignado é desconto direto na folha de pagamento ou benefício. Você autoriza o credor a debitar a parcela do seu salário, aposentadoria ou benefício antes de chegar na sua conta. O risco pro banco cai drasticamente (não tem como você não pagar — o desconto é automático), e por isso as taxas são as menores do mercado.
Públicos elegíveis: servidor público (federal, estadual, municipal), militar, aposentado/pensionista do INSS, em alguns casos funcionário CLT de empresas conveniadas. A margem consignável (% da renda que pode ser comprometida) varia: até 35% pra INSS, 30% pra servidores, etc. Existe regra específica pra cartão consignado, normalmente 5% adicional.
Taxas típicas: 1,5-2% ao mês (cerca de 20-25% ao ano), prazo até 96 meses pra INSS, 60-72 meses pra servidores. Bancos com forte oferta: BMG, Banco Pan, Daycoval, Bradesco, Itaú, Caixa, Banco do Brasil. Comparação entre 3-5 bancos sempre vale — diferenças de 0,2% ao mês em prazo longo somam centenas de reais.
Calculadora de empréstimo consignado simula o impacto na sua renda e o custo total — vale rodar antes de contratar.
Empréstimo com garantia FGTS
O empréstimo com garantia do FGTS funciona via antecipação do saque-aniversário. Você adere ao saque-aniversário (modalidade opcional do FGTS — uma vez aderido, você só pode sacar uma parte por ano e perde o saque-rescisão se for demitido), e o banco antecipa as parcelas anuais futuras como empréstimo único.
Taxas: 1,5-2,5% ao mês — competitivas, comparáveis ao consignado. Prazo: tipicamente 1-10 anos, com pagamento direto via desconto das parcelas anuais do saque-aniversário. Aprovação rápida e sem análise de score em alguns casos (a garantia é o próprio FGTS).
A grande pegadinha: ao aderir ao saque-aniversário, você abre mão do saque-rescisão. Se for demitido sem justa causa, recebe a multa rescisória (40% do FGTS), mas não pode sacar o saldo principal. Pra quem tem certeza que não vai precisar do FGTS em caso de demissão (estável, prestes a aposentar), faz sentido. Pra quem está em emprego instável, o trade-off pode não compensar.
Empréstimo com garantia de imóvel (home equity)
Home equity ou empréstimo com garantia de imóvel é a modalidade mais barata pra quem tem imóvel quitado (ou parcialmente financiado). Você dá o imóvel como garantia (alienação fiduciária) e pega valor em dinheiro com taxa muito menor — tipicamente 1-1,5% ao mês, prazo até 20 anos.
Funciona assim: o imóvel é avaliado pelo banco, e ele empresta um % do valor (normalmente 50-60% do valor do imóvel). Se você não paga, o banco toma o imóvel via alienação fiduciária — processo mais rápido que penhora tradicional. O risco real: você pode perder o imóvel.
Quando vale: capital de giro pra negócio, troca de dívidas caras (cartão, pessoal) por dívida barata, reforma grande ou aquisição patrimonial. Quando NÃO vale: cobrir consumo, gastos pessoais recorrentes, fluxo financeiro instável (você arrisca o teto da família por algo que pode resolver de outro jeito).
Bancos com forte oferta: Creditas (líder em home equity no Brasil), Caixa, Itaú, Bradesco, Santander. Comparar pelo menos 3 ofertas — taxas variam significativamente por perfil.
Empréstimo com garantia de veículo
Refinanciamento de veículo (refin) usa o carro como garantia. Você dá o carro em alienação fiduciária e pega dinheiro com taxa intermediária — tipicamente 2-4% ao mês, prazo até 60 meses.
Funciona como home equity em escala menor. Banco avalia o veículo (pela tabela FIPE), empresta um % do valor (normalmente 60-70%), e fica com o documento até quitar. Se não pagar, o banco toma o veículo. Aprovação geralmente é rápida pelo digital.
Quando vale: trocar dívidas caras (cartão a 14% por refin a 3% ainda é boa matemática), capital de emergência sem ter imóvel pra home equity, perfil com restrição que não consegue pessoal a taxa razoável. Quando NÃO vale: depender 100% do carro pra trabalhar (motorista de app, autônomo) — perdê-lo paralisa a renda.
Empresas com forte oferta de refin: Creditas, BV (Banco Votorantim), Santander, Itaú. Comparar taxas e prazos antes — diferenças significativas entre instituições.
CDC e financiamento de bens
CDC (Crédito Direto ao Consumidor) é empréstimo amarrado a uma compra específica: você pega o crédito pra comprar uma geladeira, móvel, eletrônico, ou pra financiar um carro/moto. O bem financiado serve como garantia até quitar (alienação fiduciária no caso de veículo, posse com cláusula de retomada em alguns casos de eletrodomésticos).
Taxas variam muito: financiamento de carro novo na concessionária fica em 1,5-2,5% ao mês; eletrodomésticos em loja de varejo (Magazine Luiza, Casas Bahia) em 4-7% ao mês; CDC bancário em 3-6% ao mês.
Quando vale: financiamento de carro pra quem precisa do veículo e não tem o valor à vista (CDC ou consórcio comparados — ver comparativo). Quando NÃO vale: CDC longo de eletrodoméstico em varejista (taxa cresce muito) — geralmente é melhor pegar pessoal mais barato e comprar à vista.
Rotativo do cartão (a evitar)
O rotativo do cartão é o crédito mais caro do Brasil — taxas de 14-18% ao mês podem ultrapassar 400% ao ano. Funciona quando você paga só o mínimo da fatura: o saldo restante entra no rotativo com juros altíssimos.
A regra do mercado brasileiro: rotativo dura no máximo 30 dias desde 2017 (regulamentação BCB). Após 30 dias, o banco é obrigado a oferecer parcelamento da fatura — o "rotativo regular" foi substituído por parcelamento em prazo limitado, tipicamente 12-24 meses. Mesmo assim, taxas continuam altas (3-7% ao mês no parcelamento de fatura).
Estratégia pra quem está no rotativo: pegar empréstimo pessoal (4-8% ao mês) ou consignado (1,5-2% ao mês), quitar o cartão integralmente, e pagar o pessoal com taxa muito menor. A matemática faz isso compensar quase sempre. Veja como sair das dívidas.
Marketplace de empréstimo (P2P)
Marketplaces (Bom Pra Crédito e FinanZero, por exemplo) funcionam como buscadores de empréstimo: você preenche um formulário único com seus dados e o marketplace consulta múltiplos bancos/fintechs simultaneamente, retornando propostas com taxas diferentes. Vantagem: comparação rápida sem ter que pesquisar em cada banco.
Pegadinha importante: cada solicitação enviada via marketplace gera consulta ao Serasa/SPC. Múltiplas consultas em pouco tempo podem reduzir score. Estratégia: usar marketplace pra ver as melhores ofertas, mas só fechar contrato com 1-2 que realmente interessar.
Modelo de negócio: marketplaces ganham comissão dos credores por cada empréstimo fechado via plataforma. Não cobram do tomador. Não é P2P puro (peer-to-peer) — é intermediação entre tomadores e instituições financeiras tradicionais.
Comparativo de taxas (2026)
Quadro resumo das taxas típicas no mercado brasileiro:
| Modalidade | Taxa típica | Garantia |
|---|---|---|
| Consignado INSS | 1,5-2% / mês | Folha |
| Garantia imóvel | 1-1,5% / mês | Imóvel |
| Garantia FGTS | 1,5-2,5% / mês | FGTS |
| Garantia veículo | 2-4% / mês | Veículo |
| Pessoal (bom score) | 4-6% / mês | Nenhuma |
| Pessoal (médio score) | 6-10% / mês | Nenhuma |
| Cheque especial | 8-12% / mês | Nenhuma |
| Rotativo cartão | 14-18% / mês | Nenhuma |
Use sempre o CET (Custo Efetivo Total) pra comparação real entre ofertas — taxa nominal não inclui IOF, tarifas e seguro embutido. O CET é divulgação obrigatória por lei e mostra o custo total do dinheiro no prazo.